Alguns modelos de carros seminovos estão mais caros que os novos. É esse o resultado de um levantamento da Kelley Blue Book Brasil (KBB), uma empresa especializada em preços de veículos, um fenômeno bastante estranho tem acontecido no país: alguns modelos de carros seminovos estão mais caros que os novos. 

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O estudo mostrou que, entre os 10 veículos mais vendidos no Brasil, metade deles estão seguindo este padrão. Veja na tabela abaixo quais são estes modelos.

Modelo

Faixa média de preço de zero quilômetro Faixa média de preço de seminovos
Fiat Strada 2021 R$ 79.060 a R$ 79.859

R$ 77.192 a R$ 81.725

Volkswagen T-Cross 2021

R$ 113.241 a R$ 114.385 R$ 111.135 a R$ 116.489
Chevrolet Onix Plus 2021 R$ 77.677 a R$ 78.462

R$ 75.113 a R$ 79.565

Hyundai HB20 2021

R$ 67.806 a R$ 68.498 R$ 65.717 a R$ 69.272
Chevrolet Onix 2021 R$ 71.726 a R$ 72.451

R$ 69.438 a R$ 73.039

É difícil precisar o que pode ter causado esse estranho fenômeno, já que é bastante comum dizer que “assim que se retira um carro da concessionária ele já perde valor”. Porém, alguns fatores podem ter contribuído para isso acontecer.

Tá na dúvida se deve comprar um carro usado ou 0km? Acesse nossa matéria completa sobre o assunto e veja como decidir.

Por que carros seminovos estão mais caros que novos?

1) Pandemia de coronavírus

Um primeiro fator que pode ter ajudado o aumento do valor dos carros usados é a pandemia de coronavírus. 

Com o avançar da doença, diversos setores se viram obrigados a paralisar, parcial ou totalmente, suas atividades. Inclusiva as fábricas de semicondutores, responsáveis por materias presentes não só em carros, mas em outros produtos manufaturados, como eletrodomésticos.

Por conta disso, as próprias montadoras se viram na necessidade de paralisar ou diminuir sua produção. No Brasil, Fiat, Chevrolet e Honda anunciaram férias coletivas para parte de seus funcionários. Já em 2021, outras marcas, como a Ford e a Mercedes anunciaram que estavam deixando de fabricar seus veículos no país. Um dos motivos? A crise gerada pela Covid-19.

foto da entrada da fabrica da ford em taubate no complexo industrial
No começo do ano, a Ford anunciou o fim da fabricação de veículos no Brasil até dezembro de 2021.

Além disso, a ausência ou dificuldade de encontrar peças pode influenciar diretamente no seu custo. Isto porque, ao ter muita procura por um item com baixa produção, é possível que seu preço aumente, o que faz com que o valor final de um veículo produzido no atual cenário cresça também.

Veja como a pandemia influenciou na mudança de comportamento das pessoas em relação ao deslocamento em nossa matéria especial sobre o impacto do coronavírus na mobilidade urbana.

2) Oferta e demanda

Com a diminuição da produção e as longas filas de espera que surgiram para carros 0km, quem deseja um carro precisou encontrar uma forma de encontrar o seu veículo. A solução foi procurar por modelos seminovos, com menos de três anos de fabricação.

Segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), isso gerou um aumento de 2,3% nas vendas de fevereiro em comparação a janeiro. 

Se olharmos para o mesmo mês do ano passado, a alta é de incríveis 15,9%. E quando se há uma grande procura por um produto específico, no caso os veículos seminovos, há um consequente aumento no seu preço também.

Em setembro de 2020, o mercado de semi-novos havia confirmada uma retomada surpreendente após meses de prejuízo. Veja aqui o que um revendedor afirmou sobre o assunto.

concessionaria loja de carro
Concessionárias em todo o Brasil precisaram fechar as portas por conta do avanço da pandemia no país.

3) Aumento do ICMS

Porém, há um outro acontecimento que pode ter ajudado, principalmente no estado de São Paulo. O governo anunciou um aumento no Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)

A partir de 15 de janeiro, a alíquota sobre as negociações de veículos usados passou de 1,8% para 5,53%. Um aumento de 207%. Já para modelos zero quilômetros, o reajuste foi de 12% para 13,3%, um aumento de pouco mais de 10%.

Analisando os números, é possível notar que houve um aumento significativamente maior para os modelos seminovos. A diferença faz com que o preço do veículo aumente também, a fim de aumentar os lucros na transação.

Entenda tudo sobre o aumento do ICMS sobre os veículos usados em São Paulo e veja como isso afeta você.

4) Compra e revenda de veículos se tornou uma forma de investimento?

A resposta rápida para esta pergunta é: não. Isso porque o valor levado em conta na comparação é o que será pago pelo consumidor, e não o que a revendedora pagará para o antigo proprietário.

Além disso, para analisar se um investimento é válido ou não, é preciso verificar se houve uma valorização real. Para isso, é preciso corrigir o valor pago ao comprar o veículo pela inflação do período. Via de regra, ao fazer isto, não será um negócio benéfico.

Apesar disso, é possível dizer que, ao optar pela troca do veículo neste momento, o motorista se dará um pouco melhor do que o normal. Isso porque a desvalorização dos modelos mais procurados está menor do que o habitual nos últimos anos. 

Desta forma, as concessionárias ou revendedoras devem pagar um pouco mais do que o acostumado no veículo usado.

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